quinta-feira, 16 de abril de 2009

DRAMA DANTESCO

Drama Dantesco

DRAMA DANTESCO
(A NATUREZA VERSUS TUDO – AGONIA E VIDA – A UNIDADE)
E o Grande Rio agoniza!
A morte se processa implacável;
Ele é ENGOLIDO pelo Majestoso Mar. Supremacia incontrolável do mais forte!

A pororoca anuncia...
Ouço perto, talvez longe, não sei bem...
E, a cismar, duvido...
Será verdade, ou deliro?
Já agora, tenho certeza, é verdade:
O Grande Rio todo se quebra!
E ruge feroz contra a dor,
A dor inevitável da morte.

Mas, após morrer,
O Grande Rio se renova,
E ressurge após a morte,
Depois d’algum tempo.

Tempo, o que é o Tempo?
Dos próprios restos,
Da mortalidade inteira,
Qual Fênix, da solidão desértica,
Ei-lo caudaloso.
Renasceu!...
E corre, também a ENGOLIR menores.

E, novamente, a Mãe,
Natureza criada em tudo,
Manifesta-se imutável, implacável, majestosa,
Pela vontade do Criador incriado,
Que a tudo criou, e cria, e criará...
E o Grande Rio novamente é ENGOLIDO,
Para mais tarde ressurgir.

É manifestação natural...
É a própria Natureza, indomável,
Que se manifesta, imperdoavelmente...
E neste dantesco drama de vida, e de morte,
Homem e Natureza sobrevivem, amigavelmente,
Um a compreender, e ceder, e obedecer;
Outra, imponderável, a todos e tudo subordina.

Nilson Tavares de Souza – Brasília, 22/10/1982

postado por Nilson Tavares @ 06:22 3 Comentários

quarta-feira, 15 de abril de 2009

TEORIA POLÍTICO-FILOSÓFICA

TEORIA E PRÁTICA DO SOCIALISMO

KARL MARX, ENGLS E LÉNINE


ANÁLISE CRÍTICA

KARL MARX – Político e filósofo socialista alemão, nascido em 1818 e falecido em 1883. Tendo vivido 65 anos, foi o teórico do sistema político mais tarde entendido como “Marxismo”. Reformulada a seguir por Lénine esta teoria política passa a denominar-se de “Marxismo-Leninismo”.
Marx, juntamente com Friedrich Engls, foi o redator do “Manifesto Comunista”, primeira peça do estabelecimento de relações comunistas entre os povos que viriam, adiante, a formar o Bloco de paises liderado pelos soviéticos, a URSS. Marx é ainda o fundador da “Primeira Internacional”, tendo sua filosofia expressa em “O Capital”, publicado nos idos de l867. Sua Obra é, assim, um compêndio de princípios filosóficos fundados numa conceituação inteiramente materialista, em relação aos atos e fatos econômicos e históricos. Considera, com efeito, o Capitalismo (cada vez mais concentrado em mãos de cada vez menos numerosas pessoas – concentração do capital) como impotente e incapaz para resistir ao “assalto” da mão-de-obra (trabalhadores), cada vez mais organizados em uma espécie de sociedade por classes operárias, os quais se tornarão infalivelmente (é sua destinação histórica) SENHORES, na sociedade coletivista dos meios de produção e de troca.
No seu discurso político-teórico, não se toma na devida consideração o avolumado e persistente fenômeno da constante redução, em dado momento da história, dos postos de trabalho, com a conseqüente contrapartida agravante e crescente da cada vez maior oferta da mão-de-obra desqualificada. Este fato obriga à capitulação do operário, já não mais possuidor de condição moral (ética) para opor sua tão sonhada “força”.
Tal situação de opressão levará o agente da transformação (o trabalhador) a uma espécie de torpor mental, diante da impotência a que se vê aprisionado psicologicamente e, em conseqüência, completamente sem capacidade de reação, eis que sua criatividade já terá se esvaído.
Com efeito, neste exato momento o operário, a duras penas, passará a contentar-se com o trabalho cuja retribuição será de mera subsistência, sem perspectivas de melhorias sociais futuras.
Apesar da má formulação teórica e prática, e certamente também por isto, salvado enquanto mero anúncio de princípios, o socialismo marxista não se verificou potentemente eficaz para superar a controvérsia, permitindo-se ao “sistema”, por conveniência de salvação, o império da vontade do governante (o aplicador do método), para subordinar o resultado ao sabor de uma ação sem respaldo laboratorial, enquanto científica que se pretende ainda hoje, e que se revelará mais tarde completamente insustentável como atesta a queda do muro de Berlim.
Enquanto um “princípio” somente, seja de formulação aparentemente correta, a postulação marxista segue-se ser de inspiração puramente materialista e temporal, sem considerar a liberdade inata de criar e até de viver, própria do trabalhador. Isto acaba por influenciar destrutivamente o próprio esforço necessário ao processo laborativo. Sem referidas condições, o trabalho torna-se opressivo e não prazeroso, sendo a patologia responsável pela impregnação dos saudáveis meios de produção.
De qualquer forma, ainda que a crítica científica possa agregar inúmeros questionamentos não bem respondíveis, fato é que o socialismo científico de Marx acabou por ter, na segunda metade do Século XIX, uma considerável influência sobre grande parte das sociedades européias. Chegam-se, então, à “II Internacional” fundada em 1904, e na sua maior parte plena de partidos políticos e organizações outras, fundados todos sob a inspiração marxista. Segue-se a “III Internacional” de 1920, composta de organizações comunistas, com o objetivo de se reorganizarem e aplicarem à sua ação pilítco-institucional, o integral marxismo.
Neste processo, teve fundamental papel coadjuvante o seu segundo teórico Friedrich ENGLS. Tendo sido um dos fundadores do coletivismo alemão do Século XIX. Engls participou da tarefa redacional do não menos histórico “Manifesto Comunista”, bem como da “Santa Família”.
Já por volta dos anos de 1870, vigora o então “Conselho dos Comissários do Povo da URSS”, cujo Presidente veio a ser Vladimir Lénine, a quem cabe a tarefa de maquinar e derrubar o governo provisório de Kerensky, tendo sido, juntamente com Trotsky o principal organizador do regime bolchevista da Rússia e, tendo com a Alemanha, concluído e firmado o tratado de paz de Brest-Litevsky em março de 1918.
Passa-se o tempo e eis que, com seus setenta e tantos anos de prática opressiva pela “boca do canhão”, cai por terra o Muro de Berlim, símbolo de um “sistema” político puramente materialista, repleto de contradições. Assim, de modo até melancólico, vem abaixo o marxismo, pela razão clara de que não se bastava a si próprio como se apregoava a partir de um complexo emaranhado de postulados que não se confirmaram na prática laboratorial.
Estes arrazoados aqui expostos não são uma apologia do capitalismo como sendo um sistema puro, imune dos erros de aplicação de metodologia específica. Longe disto, são mesmo de largo conhecimento as deformações praticadas no trato cotidiano.
Sabe-se mesmo que, por ser um sistema eminentemente democrático quanto a permitir a liberdade de fazer ou de não fazer, o capitalismo sofre mutações na sua filosofia e passa, então, a tomar qualificativos como, por exemplo, o de “selvagem”. Mais ainda, a crescente concentração de renda na mão de poucos, com a conseqüente democratização dos padrões de miséria nas estratificações sociais baixas, é outra anomalia a ser corrigida.
Com efeito, ressaltam-se como extremamente danosa para o capitalismo a não existência, nos dias correntes, de contrafortes econômicos que impeçam a desenfreada especulação na aplicação do capital, nos sistemas financeiros nacionais e internacionais.
Esta prática tem sido a responsável pela verdadeira derrocada econômica de sociedades emergentes. Sem dúvida, todas estas são situações anômalas que se somam a outras não abordadas aqui. São entropias que precisam de correção imediata, face aos grandes males que impõem às pessoas em geral. Enfim, não é objeto destas especulações a críticas ou a defesa do capitalismo como sendo o sistema ideal para o mister das relações dos agentes da produção e da troca.
Certamente estamos muito longe do ideal. Contudo, se são notórias as mazelas do capitalismo, não menos certo é que se persegue intensamente a sua reparação. Na verdade, estamos diante de uma perspectiva de futuro. E que futuro teremos? O capitalismo não é bom, todos sabemos. Mas, que outra opção melhor existe?
Nilson Tavares de Souza – março de 1999.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

RIGOR X REFLEXÃO

Rigor x Reflexão

tnilson@ig.com.br RIGOR x REFLEXÃO

A dignidade de uma pessoa não se mede pelo rigor de seus
conceitos e/ou preconceitos relativos a suas postulações de vida. Antes, toma como parâmetro a maior ou menor capacidade ética e moral de perceber, avaliar e absorver as contínuas mudanças às quais a vida nos queda impotentes.
Com efeito, tudo na vida está em constante processo de aperfeiçoamento, depois da desagregação inexorável. Máxime, no que tange às pessoas. Tudo obedece a um verdadeiro e autofágico movimento circadiano que a todos subordina incontrolavelmente, do ponto de vista meramente humano.
Então, a arte está em bem compreender esta natural conspiração indomável e, dela, auferir equilibrada resultante em benefício apropriado, sem propósito artificial, para as pessoas em geral, enquanto protagonistas no laboratório universal em que vivemos e onde devemos labutar com máxima sabedoria.
Por conseguinte, diante destas ponderações, até podemos indagar com alguma propriedade: para que serve tanto rigor escolástico no inter-retro-relacionamento das pessoas?
Claro, a conclusão é sua, é minha; o juízo é seu, é meu, e é de cada um em particular. A resultante é sempre pessoal. Não se pode transferir ou delegar. É absolutamente individual, até porque o ser humano tem a faculdade de pensar.
No mais, ofereço o meu pensamento aqui exposto à crítica. Na verdade, o que sei é que se eu pudesse nascer de novo, no dizer do pensador Jorge Luís Borges, “certamente cuidaria em ser menos higiênico...”.


Nilson Tavares de Souza – Rio, 09/06/2007.

A VIDA E SUAS MAZELAS


Morte e outros males

Ainda que pareça uma grande loucura de minha parte, longe está de ser uma blasfêmia contra Deus e sua magnífica obra: o Universo com tudo o que nele se contém. Mesmo assim, não se encontra razão na lógica humana para quantos eventos da vida como, por exemplo: morte física (e espiritual, para muitos), pobreza extrema, dormir ao relento nas sargetas da vida, comer lixo nas beiras de calçadas, doenças incuráveis (câncer, mal de parkinson, aids, derrames, infartos, etc). Enfim, quantas mazelas... Ah! Se eu tivesse a chance de, na próxima, vir como Deus!... Mas, que próxima? A próxima nem existe! Certamente, eu acabaria com todos esses males da humanidade. Com efeito, isto não sendo possível, fica só a minha vontade de louco. Mas, Morte... ah! Isto não existiria não!...

Rio, 15 de março de 2009 - (a) Nilson Tavares de Souza